dafwe

2 de jul. de 2009

Mesmo perdido na montanha de títulos exibidos na Mostra de SP do ano passado, “A Floresta dos Lamentos”, da cineasta japonesa Naomi Kawase, produziu sobre o espectador uma experiência de revelação. Ao fazer a crônica de um luto numa perspectiva panteísta, a cineasta japonesa convertia a câmera em instrumento de um animismo, capaz de enxergar vida até nas coisas inanimadas.

Para os que se entusiasmaram com a experiência, duas boas notícias: Kawase concluiu e lançou “Sete Noites” (“Nana Yo Machi”, no original), seu trabalho seguinte, e este novo filme da diretora integra uma retrospectiva dentro do Indie 2009, festival que acontece em Belo Horizonte de 3 a 10 de setembro e em São Paulo de 17 a 24 de setembro.

Na retrospectiva serão exibidos 12 títulos de Kawase, divididos entre sete documentários e cinco ficções. A lista completa:

DOCUMENTÁRIOS
- “Ni tsutsumarete” (“Embracing”) - 1992
- “Katatsumori” - 1994
- “Ten, mitake” (“Seen the Heaven”) - 1995
- “Hiwa katabuki” - 1996
- “Kya Ka Ra Ba A” - 2001
- “Tsuioku no dansu” (“Letter from a Yellow Cherry Blossom”) - 2002
- “Tarachime” - 2006

FICÇÕES
- “Suzaku” - 1997
- “Hotaru” - 2000
- “Shara” - 2003
- “Mogari no mori” - (“A Floresta dos Lamentos”) - 2007
- “Nana yo machi” (“Sete Noites”) - 2009

Como os trabalhos anteriores de Kawase, a trama de “Sete Noites” resume-se a duas linhas. Conforme descrição postada pela diretora em seu site, “é a história de uma mulher japonesa de 30 anos que passa sete noites na Tailândia. Uma história sobre a descoberta de um novo eu”.

A magreza da sinopse, contudo, esconde outro grande trunfo de Kawase, que aproveita o obstáculo da língua entre os personagens para captar aquilo que torna seu cinema tão essencial: a fluidez do desejo, a força do vento, o ritmo de uma dança, o aspecto físico do misticismo.

Como as palavras, aqui reduzidas a sons antes dos significados, a natureza em “Sete Noites” recupera uma perspectiva original, na acepção literal do termo, de uma origem primeira, prévia a qualquer esforço de simbolização.

Quando Kawase pega a câmera, o cinema reencontra sua originalidade, aquela mesma que foi sentida pelo público que viu um trem entrar numa estação num café parisiense há mais de um século.